sábado, 7 de novembro de 2009

Quem nos salvará e do que?

Olá a Todos!

A vida em comunidade é algo interessante, nosso senso de espécie é algo que nos conforta em certos momentos. Afinal, o que sobrará de cada um de nós? Onde nossos feitos serão lembrados senão no meio de nossos semelhantes? O que motiva casais a terem filhos, apesar de todas as adversidades, a não ser a sensação de continuidade de suas características através da propagação de seus genes?

No entando, olhando para o futuro (se é que ele existe!), a humanidade, na forma que se manifesta hoje, "está com os dias contatos."
Trágico? Nem um pouco, apenas algo normal. Algo já reconhecido pelo conhecimento atual.
Na melhor das hipóteses, com o final do ciclo atual do sol, mais alguns bilhões de anos, o planeta será aquecido de forma digamos, mortal.

Apesar de o homem se dizer racional, seu comportamento está alicerdado em crenças. Mesmo o positivistas são seguidores de uma "fé". Em torno desta se molda o mundo. É o que chamamos de paradigma pessoal, ou idiosincrasias. Mesmo na pretensa visão científica, não existe consenso absoluto. Existem fatos reconhecidos e versões da realidade.

Considerando nossa continuidade como espécie, inconscientemente depositamos esperanças de que algum dia algo nos salve. Se não fosse assim, todos estaríamos mais envolvidos ou atuantes em questões mais urgentes. Por exemplo, ninguém nasceu de carro, mas quem tem coragem de deixar o seu em casa? Delegamos responsabilidades, nos irresponsabilizamos por aquilo que não nos interessa. A ciência, algum dia, vai encontrar as devidas soluções. É confortante pensar assim.

A questão que estou propondo é que, de uma forma ou de outra, esperamos pela salvação. Talvez este seja um desejo ou destino gravado no inconsciente coletivo. Considerando que dos 6 bilhões de habitantes do planeta, mais de dois terços, com certeza, está filiada a alguma grande religião, esta hipótese não é totalmente absurda. A maioria das religiões abordam o tema da "salvação." Hoje, depois de indas e vindas me pergunto, salvar-se de que?

Todas as formas são impermanentes. . .

Durante um sonho, uma situação incomoda aconteceu. Estava eu em um pais estranho, desembarcando em um aeroporto. Ninguém falava minha lingua, de repente noto que minha bolsa, com todos os documentos, havia se extraviado ou sido roubada. Sensação angustiante, mesmo em um sonho. Quanto mais me identificava, mais me deseparava, mais ficava com raiva. . . No entanto, no fundo de minha mente, algo me lembrou de que aquilo era um sonho. Sabendo disso fiquei mais tranquilo. E a angustia e desespero se acabaram, juntamente com o sonho. Despertei!




MVF


Vale do São Francisco, 07/11/2009

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O Imaginário e o Real


Olá a Todos!

Uma das características mais fantásticas dos seres humanos é a imaginação!

Caso você more em uma cidade, olhe a sua volta! Observe tudo em 360 graus. Afinal, onde estavam estes objetos antes de serem concebidos e criados? Em algum lugar imaginário!

Em matemática existe um conjunto de números imaginários. Os números imaginários existem, mas não tem representação no conjunto dos números reais, só isso. Da mesma forma, algo que existe na imaginação humana, somente não tem expressão (momentânea) no mundo físico e tridimensional. De maneira alguma tal forma "não existe." Mesmo uma tolice imaginada, não deixa de existir em nosso mundo psicológico! E quantos problemas as tolices imaginadas nos criam, não é verdade? ! !

Voltemos ao mundo imaginado. Nele, a imaginação e a criatividade não tem limites! Podemos criar mundos com rios de chocolate, animais falantes, leões herbívoros, políticos autruistas e pessoas perfeitas (os nossos heróis).

Pergunta: existe algum problema em criar mundos imaginários? Lógico que não! O mundo dito real é um projeção daquele dito imaginário. Pode ser até uma utopia!

Apenas não devemos criar ilusões sobre o que acontece de instante a instante em nossa frente, ou seja sobre os fatos! Eles são o que são, independentes de nossos desejos!

Discernir entre os dois mundos é um exercício de sabedoria. . . e lembrem-se, a diferença entre sábios e loucos é que os primeiros sabem nadar no mundo imaginário.

Paz na Terra!

sábado, 25 de abril de 2009

Por que precisamos de governantes?

"Ser governado é ser zelado, inspecionado, doutrinado, aconselhado, controlado, assediado, pesado, censurado e ordenado por homens que não têm direito, nem conhecimento ou valor para tanto. Isto é o Estado, esta é sua justiça, esta é sua moral."
***************************************************************************************

Ministros trocaram ofensa como 'moleques de rua', diz Dallari

Seis meses no Senado garantem plano de saúde familiar vitalício

"Farra das passagens" leva Câmara dos Deputados à semiparalisia

***************************************************************************************

E por aí vai. . .

Paz na Terra.

MVF

terça-feira, 7 de abril de 2009

O Presente, agora

O Futuro é uma fantasia,
e o passado uma lembrança.
A Vida ocorre somente no Agora,
Nada pode ocorrer fora do presente.

Segue um vídeo de Eckhart Tolle sobre o tema.



Paz na Terra.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Mensagem de Recomeço

Olá a Todos!

Estive pensando numa mensagem de final de ano. . . Mensagens prontas existem muitas, basta "gloogear", mas não é meu estilo! Assim sendo, apelo para as palavras que surgem a partir do tema do "Recomeço".

Nosso tempo é ciclico, as estações se repetem assim como as oportunidades.
Um novo ciclo recomeça, ainda bem, todos os anos!

Dia 22 é o solstício de verão aqui no hemisfério sul. No hemisfério norte é o soltsício de inverno. Não é por acaso que o Natal ocorre no dia 25 de Dezembro!

Final de um ciclo e começo de outro. Uma nova oportunidade, uma nova chance. . . É assim que enxergo hoje a passagem e repetição dos anos. Somos testemunhas do ontem, porque não fazer um amanhã diferente???

Que o entusiasmo (ter a Deus dentro) tome conta de cada um de nós. E que o mundo possa se tornar um lugar melhor!

E isto dependeria em parte de cada uma de nossas atitudes. . .

Obrigado, muito obrigado!


Militão


segunda-feira, 22 de setembro de 2008

O crepúsculo

Rubem Alves

"Se durante o dia o vôo dos pássaros parece sempre sem destino, à noite dir-se-ia reencontrar sempre uma finalidade. Voam para alguma coisa. Assim, talvez, na noite da vida..." Camus tinha 29 anos quando escreveu essas palavras em seu caderno de notas. Esse texto só pode ter sido escrito ao final da tarde: sai dele uma luminosidade crepuscular. Naquele mesmo dia Camus já pintara uma paisagem matutina:

"Um domingo de manhã cheio de vento e de sol. Em volta do grande lago o vento espalha as águas da fonte, os barcos minúsculos sobre a água enrugada e as andorinhas em redor das grandes árvores." Textos são como cenários: neles brilha a luz sob a qual foram escritos. Nisso são irmãos das telas de Monet. Esse texto é poesia. Foi construído com metáforas.

Se deseja saber mais sobre metáforas veja o filme "O Carteiro e o Poeta". Seria uma bela forma de celebrar a passagem do ano. Você ficaria feliz. E pode até ser que um milagre aconteça e você se descubra poeta, tal como o carteiro que entregava a correspondência de Pablo Neruda _o único a receber cartas naquela aldeia de pescadores de redes tristes, todos analfabetos. Metáfora é quando se desenha o próprio rosto com imagens pescadas do mundo. Os rostos dos poetas se pintam com barcos, peixes, redes, pássaros, vôos, manhãs, crepúsculos... No caso de Neruda, até mesmo fogo, fumaça e cebolas...

O rosto matutino de Camus aparece pintado no vôo das andorinhas ao redor das grandes árvores. Não voam para lugar algum. Ao meio-dia os lugares não chamam. Por isso elas voam em círculos, sem destino certo. Sob a luz do crepúsculo o rosto do escritor se transforma. O crepúsculo é a hora da nostalgia. Chegam ao corpo melodias vindas de lugares antiquíssimos, quase esquecidos. O corpo ouve o seu chamado. Deseja voltar. Aí os pássaros deixam de voar com círculos e passam a voar com flechas.


O texto termina com uma frase não-terminada: "Assim, talvez, na noite da vida..." É uma confissão de poesia: não era sobre o vôo dos pássaros que ele falava ao falar sobre o vôo dos pássaros. Falava sobre ele mesmo, sobre a inevitável noite da vida quando ele ouviria o chamado e saberia para onde ir. Será que é só sob a luz do crepúsculo que nos tornamos sábios?


O ser e o pensamento flutuam ao sabor da luz. Ao meio-dia o céu é um lago-espelho de ágata azul. Nada se move. O tempo não existe. Tudo é eterno. Ao crepúsculo, entretanto, o lago imóvel se transforma em rio. Rapidamente as cores se sucedem, o azul vira amarelo, o amarelo passa ao verde, ao rosa, ao laranja, ao vermelho, ao roxo para, finalmente, mergulhar em cachoeira no negro da noite: "Tempus Fugit".


Divagando como psicanalista sobre a filosofia de Parmênides imagino que seu pensamento nascia sob a luz do meio-dia, o tempo suspenso, todas as coisas paradas, o Ser brilhando como esfera imóvel e eterna. "Apenas as pedras existem", ele poderia ter dito. "Tudo o mais é ilusão". Mas Heráclito, o filósofo do fogo e do rio, certamente pensava ao sabor das cores do crepúsculo, quando as pedras se transformam em rio. "Tudo flui. Nada permanece. Somente os rios existem. Todas as pedras são ilusão."


Camus, no mesmo caderno, pinta um outro crepúsculo: no céu poente coberto de nuvens negras uma delicada faixa azul transparente. "A sua presença é uma tortura para os olhos e para a alma", ele diz. "Porque a beleza é insuportável. Ela desespera-nos, eternidade de um minuto que desejaríamos prolongar pelo tempo afora."


O crepúsculo faz chorar. A beleza faz chorar. Choramos porque o crepúsculo somos nós. Somos belos e efêmeros como o crepúsculo. O crepúsculo nos dá lições sobre o nosso ser. Cecília Meireles se via nele:


"Este odor da tarde, quando começa o cansaço dos homens/ quando os pássaros têm uma voz mais longa, já de despedida,/ Declina o sol _esta é a notícia que a terra sente, na floresta e no arroio.../ E então o odor da terra é uma exalação da saudade,/ um suspiro de consolos, também, e o orvalho que as plantas formam,/ parece igual à lágrima/ e cada folha, nas árvores, é um outro rosto humano."


Amo os crepúsculos. Ajudaram-me a amar o rio, o tempo que passa. Rios e crepúsculo são a mesma coisa. A revelação poética me veio quando me percebi velho, mas descobri também que o crepúsculo morou em mim desde que eu era menino, do jeito mesmo como acontecia com o Miguilim, para quem toda manhã já era tarde. As cores e o tempo do crepúsculo me tornaram um pouco mais sábio. Para se ficar sábio é preciso ser discípulo da morte.


E o crepúsculo é o seu lugar predileto de falar conosco. Porque no crepúsculo ela nos vem vestida de beleza. Está dito nos versos de Wordsworth: "As nuvens que se ajuntam ao redor do sol que se põe/ ganham suas cores solenes/ de olhos que têm atentamente montado guarda sobre a mortalidade humana."


"Assim, talvez, na noite da vida..." O ano chega ao fim. Foi-se o imóvel lago azul de ágata. O tempo se espreme furiosamente numa garganta para o mergulho no escuro. Seria o tempo para a metamorfose dos vôos, os círculos se transformando em flechas. Mas a impressão que tenho é que as pessoas caminham de costas para o poente.


Amam as cores do crepúsculo, mas temem o que elas dizem. O "Angelus" as deprime, e até inventaram uma liturgia crepuscular chamada "happy hour", cujo objetivo é exorcizar as cores solenes das nuvens que se ajuntam ao redor do sol que se põe, liturgia que no fim do ano vem com o nome de réveillon. Quanto a mim, preferirei aprender dos rios e dos crepúsculos.


São apenas duas as coisas que a morte nos diz, de sua beleza crepuscular, resumo de toda sabedoria: "Tempus Fugit". Portanto, "Carpe Diem". Quem sabe isso voa como os pássaros ao cair da noite.


RUBEM ALVES, escritor e psicanalista, é professor emérito da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
publicado na Folha de São Paulo, edição de 31-12-1995.