domingo, 29 de março de 2020

Uma nova previsível realidade


            Em dezembro de 2019 foi detectada, na China, uma nova doença, originária da ação de um novo vírus, resultante da mutação de uma espécie silvestre. Este novo vírus, chamado de "o novo coronavírus", encontrou na população mundial globalizada e conectada um ambiente propício para infecção. Hoje, 29 de março de 2020, existem comprovadamente  no mundo, mais de 710 mil pessoas infectadas, os mortos estão em cerca de 33 mil (https://coronavirus.jhu.edu/map.html).  Esta pandemia é a maior ameaça à humanidade desde a gripe espanhola de 1918, que causou cerca de 50 milhões de mortes. A mutação de vírus silvestres para seres humanos não é algo incomum. Na atual situação de diminuição dos habitats naturais, causada pelo aumento das atividades antrópicas, estes vírus tem cada vez mais chances de migrar para humanos. Isto já é previsto por virologistas, infectologistas e epidemiologistas. Um livro recomendado é "A história da humanidade contada pelos vírus", onde o autor, Stefan Cunha Ujvari, conta nossa relação com estes seres ao longo do tempo, muitíssimo interessante!

            As consequências desta pandemia são incalculáveis. Estamos no começo da primeira onda. Muitos países, como o Brasil, encontram-se no começo da curva, que inicia-se em uma exponencial. As cenas que chegam de países como Itália e Espanha são chocantes. A doença infecta grande número de pessoas, uma pequena porcentagem destes infectados necessitam de tratamento em UTIs. Uma pequena porcentagem de um grande número de infectados é um número grande! Se há mais pacientes do que vagas de UTIs, isto configura o colapso do sistema de saúde.

“No final de abril sistema entra em colapso. 
O colapso é quando você pode ter o dinheiro, 
o plano de saúde, 
a ordem judicial, 
mas não há o sistema para entrar”, 

           A inaptidão dos governos em lidar com a pandemia é uma demonstração do seu compromisso com a sociedade de consumo, que depende dos trabalhadores para gerar riqueza (e produzir lixo, vivemos num paradigma de economia linear). Já para preservar vidas a melhor técnica é o isolamento social, que implica numa diminuição das atividades econômicas, diminuição da riqueza dos capitalistas. A crise se alonga. . .  Os donos das riqueza se recusam a compartilhar com os que necessitam mais. Ah, as riquezas das classes "dominantes" foram geradas pelos da base da pirâmide! É uma completa distopia.

            A pandemia vai passar, é o que sabemos. Pessoas estão morrendo e outras vão morrer. Isto é trágico! Vidas podem ser poupadas, mas depende do quanto a atividade econômica será reduzida. O ideal seria as regiões infectadas ficarem em quarentena. Mas, no Brasil, não se tem ideia de onde circula o vírus! Tudo isso é uma demonstração de como o atual modelo de sociedade globalizada é incompatível com a vida do planeta. Resumindo, para frear  pandemia e outras contas a serem pagas, como a crise climática, é necessário tirar o capitalismo da tomada. . . .  No momento em que escrevo  estamos no início de grandes perturbações. Ninguém sabe como isso vai terminar. Fato é que a humanidade não deveria perder essa oportunidade de mudar, para outro patamar. 🙏

            Imagem
            Graffiti em Hong Kong: "Não podemos voltar ao normal, porque o que era normal era exatamente o problema.”. Twitter.

   

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Sobre o sonho

  
   - Sempre é difícil nascer. A ave tem de sofrer para sair do ovo, isso você já sabe. Mas volte o olhar para trás e pergunte a si mesmo se foi de fato tão penoso o caminho. Difícil apenas? Não terá sido belo também? Podia imaginar outro tão belo e tão fácil?
       Movi, dubidativo, a cabeca.
       - Foi penoso - disse como adormecido -, foi penoso até que veio o sonho.
       Assentiu e fitou-me penetrantemente.
      - Sim, temos que encontrar nosso sonho, e então o caminho se torna fácil. Mas não há um sonho perdurável. Uns susbstituem os outros e não devemos esforçar-nos por nos prender a nenhum.

Diálogo entre Emil Sinclair e Eva em "Demian", de Hermann Hesse.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Mobilização Mundial pelo desinvestimento 2017




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Petição pelo Clima

---------- Mensagem encaminhada ----------
De: Militão Figueredo ail.com>
Data: 3 de dezembro de 2016 12:09
Assunto: Petição pelo Clima
Para: fernandobezerracoelho@senadorleg.br, cristovam.buarque@senador.leg.br

dep.danielvilela@camara.leg.br

Prezado Senador

Fernando Bezerra Coelho

e demais membros da 

Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas



Segue anexo um abaixo assinado levantado em 29/11/2015, dia da Mobilização Mundial pelo Clima, na orla do Rio São Francisco.






É um tema dos mais sérios que, infelizmente, ainda não tem a atenção necessária.


Por outro lado, saiba que a população do Vale do São Francisco o apoia para tomar as atitudes e medidas necessárias para garantirmos o futuro das próximas gerações e, pelos dados observados, o da nossa!

Sem mais

Atenciosamente

Mobilização Mundial pelo Clima no Vale do São Francisco


Trecho do livro "sete breves lições de Física" de Carlo Rovelli:

"Cem mil anos atrás, nossa espécie partiu da África, talvez impelida justamente por essa curiosidade, aprendendo a olhar cada vez mais à frente. Sobrevoando a África à noite, eu me perguntei se um daqueles nossos longínquos antepassados, erguendo-se e pondo-se a caminho rumo aos espaços abertos do Norte, e olhando o céu, poderia ter imaginado um distante neto seu voando naquele céu, interrogando se sobre a natureza das coisas, ainda impelido pela sua mesma curiosidade. Penso que nossa espécie não durará muito. Ela não parece ter a resistência das tartarugas, que continuaram existindo semelhantes a si mesmas por centenas de milhões de anos, centenas de vezes mais do que nós temos existido. Pertencemos a um tipo de espécie de vida breve. Nossos primos já estão todos extintos. E nós causamos danos. As mudanças climáticas e ambientais que deflagramos foram brutais, e dificilmente nos pouparão. Para a Terra, será um pequeno clique irrelevante, mas penso que não passaremos incólumes por ele; ainda mais quando a opinião pública e a política preferem ignorar os perigos que estamos correndo e enfiar a cabeça na areia. Talvez sejamos sobre a Terra a única espécie consciente da inevitabilidade de nossa morte individual: temo que em breve nos tornaremos também a espécie que conscientemente verá chegar o próprio fim, ou pelo menos o fim da própria civilização."